Portal do Governo Brasileiro

Integração entre Atenção Básica e Vigilância em Saúde é tema de oficina em Brasília

8 de Agosto de 2018
A equipe do Observatório do Cuidado esteve reunida com técnicos do Ministério da Saúde para debater coletivamente as possibilidades de integração das duas áreas técnicas na perspectiva da Educação Permanente
 
 
Entre os dias 1 e 2 de agosto, a equipe do Observatório do Cuidado esteve reunida com técnicos da Atenção Básica e Vigilância em Saúde, ambas do Ministério da Saúde, para debater coletivamente as possibilidades de integração das duas áreas técnicas na perspectiva da Educação Permanente, com foco especial para as condições de doenças negligenciadas. A primeira oficina do grupo aconteceu na Escola Superior do Tribunal de Contas da União, em Brasília (DF).
 
Durante o encontro, a equipe do Observatório do Cuidado apontou perspectivas importantes sobre a integração das duas áreas com o olhar voltado para a estruturação de futuras formações profissionais. Foi proposta também uma dinâmica de grupos com perguntas norteadoras para que as particularidades e possíveis encontros das duas áreas técnicas pudessem ser discutidos, incentivando uma reflexão mais aprofundada quanto aos diversos contextos territoriais do país, as diferenças entre vulnerabilidades e riscos, os determinantes e condicionantes sociais, bem como os registros em sistemas de informação em saúde.
 
De acordo com a coordenadora do Observatório do Cuidado, Maria Cristina Guimarães, o desafio desta proposta é analisar a possibilidade e as maneiras para se trabalhar junto. “Estamos aqui para questionar, articular e apoiar as duas áreas para esta integração. Não iremos acordar sobre tudo, o consenso é algo que pode não existir durante o processo, mas o bom senso vai permitir que as áreas se aproximem e façam aproximações também com quem está no território, um movimento para uma prática mais integradora”, ressaltou Cristina.
 
 
Perspectivas da Atenção Básica e Vigilância em Saúde
 
Os técnicos da Atenção Básica ressaltaram que o histórico institucional do Ministério da Saúde aponta vários marcos normativos e diretrizes debatidas quanto à integração com a Vigilância em Saúde, dentre eles a atuação dos profissionais em relação aos processos de trabalho e questões de financiamento. Para além disso, já existe uma forte agenda que tem sido discutida pela Comissão Intergestores Tripartite (CIT) e pactuada de acordo com a nova Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), aprovada em 2017.
 
Entretanto, segundo o grupo, essa nova proposta de integração das áreas visa a efetivação do serviço na porta de entrada do SUS, a melhoria da resolutividade na Atenção Básica, bem como pretende aprimorar a qualificação do Cuidado considerando todas as questões do indivíduo em seu contexto social, já que essas particularidades acabam refletindo na sociedade como um todo, o que impacta consequentemente nas atuações das três esferas de governo.
 
Por sua vez, os profissionais da Vigilância em Saúde, enfatizaram a importância de se pensar alternativas para o SUS e que este desafio para a integração é antigo, mas que o engajamento efetivo dos profissionais que estão no Ministério da Saúde é recente. O grupo ressaltou que a oficina foi um momento especial para que as áreas pudessem criar uma matriz com a perspectiva de quebra de barreiras e pensar no território como um todo. Segundo eles, será fundamental recorrer aos princípios do SUS para novas propostas de Cuidado, além de começar a pensar o próprio processo de vigilância em saúde de outra forma.
 
A equipe explicou, ainda, que as áreas técnicas acabaram se especializando tanto em algumas questões que foram se afastando, mas que agora é o momento de pensar naquilo que as une, criando conteúdos para a gestão central. Eles afirmam ainda que para a missão do SUS, as doenças negligenciadas são muito importantes, porque falam exatamente dos lugares onde as situações de saúde são mais difíceis.
 
O grupo chegou à conclusão de que talvez os serviços de saúde não sejam suficientes e  que será necessário investir mais em ações.  A equipe da Vigilância em Saúde entende que as pessoas que estão no grupo populacional desses agravos são normalmente vulneráveis e que muitas delas não conhecem como é dinâmica do SUS, não sabem como penetram na rede de atenção, e que por isso o Ministério da Saúde precisará fazer o movimento contrário, identificando os atores que tornam as situações negligenciadas para que se trabalhe de forma mais eficiente no que chama de problemas de saúde evitáveis.
 
Foi consenso entre todos os técnicos da Atenção Básica e Vigilância em Saúde, tanto numa perspectiva individual como coletiva, que se fechar em caixas de atuação não é o caminho ideal para resolutividade de problemáticas que envolvam diferentes aspectos, como é o caso das doenças negligenciadas. Ambas as áreas concordam que o encontro foi precioso, pois a mudança está se iniciando agora pela própria percepção dos profissionais do Ministério da Saúde quanto à importância da integração das duas áreas, a qual pode resultar em diferentes ações nos serviços de saúde. Tanto que a partir desta oficina, novas agendas em comum foram delineadas.
 
Por: Camila Cruz

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais notícias